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Polícia Federal investiga preconceito em loja de calçado

11 de abril de 2009

A terena Janaina Faustino, de 18 anos, ainda demonstra dificuldade em relatar como foi maltratada em uma loja de calçados de Campo Grande, no dia 04 de abril. Quando começa a contar, o relato é interrompido pelo choro.

Na manhã de hoje, a jovem foi à Polícia Federal denunciar a discriminação e ao delegado teve de detalhar o dia em que tentou fazer um cartão de crédito na loja da Meio Preço, na 14 de Julho, mas o cadastro foi negado pelo fato dela ser índia. A jovem foi acompanhada pelo Centro de Defesa dos Direitos Humanos - Marçal de Souza.

“Antes mesmo de qualquer verificação dos meus documentos, ao ver que a minha carteira de identidade é indígena, a moça disse que era política da loja não dar cartão aos índios”, conta Janaina que pouco antes havia conquistado o cartão da Riachuelo.

"Humilhada", em pleno sábado de loja lotada, a moça diz que “baixou a cabeça” e saiu, mas foi advertida por uma amiga que acompanhou a cena constrangedora.

Ao voltar, para questionar o motivo da discriminação, a resposta foi repetida pelo gerente da empresa, conta Janaina. “Ele falou que existe uma ordem para que não fazer crediário para índio, porque índio não é responsável pelos seu atos. Isso é um absurdo”.

O caso poderia ser encaminhado à Polícia Civil, como crime de preconceito, mas como a prática da loja é contra qualquer indígena, a Polícia Federal abriu inquérito para investigar a denúncia.

Na tarde de hoje, Janaina será formalmente ouvida. Às 18 horas, duas amigas que também presenciaram a cena vão contar o que ouviram dos funcionários da Meio Preço. Representantes da empresa também serão convocados para depoimento.

Após o susto, a tristeza e a vontade de voltar para a aldeia, Janaina resolveu “levar isso às últimas conseqüências”. “Não quero que ninguém mais passe por isso. Penso quando eu tiver meu filho, ele não pode sofrer só porque é índio. A gente é como qualquer outra pessoa, trabalha, paga as contas, não pode ser humilhado por quem quer que seja”.

A vontade de voltar a viver na aldeia com a família, em Miranda, onde nasceu e cresceu, já foi esquecida pela moça que decidiu morar em Campo Grande para estudar, enquanto trabalhar com diarista.

“Meus amigos me deram força. Não vou nunca mais me rebaixar”, promete.

“Agora a pessoa não pode abrir crédito só porque é índio. Isso é inadmissível”, protestou a amiga de Janaina, Elaine Lopes.

Desculpas - No dia da tentativa frustrada pelo cartão de crédito, o supervisor comercial de cartões da Meio Preço, Elivelton Paiva, justificou que alguns índios têm cartões de identidade diferentes das identidades normais.

Muitas vezes, segundo ele, os documentos dos consumidores indígenas são protocolados pela Funai (Fundação Nacional do Índio), como no caso do RG de Janaína e o "procedimento para a aprovação do cartão é lento", argumentou.

Depois de ser procurada pelo Campo Grande News, a empresa garantiu que, o cartão já estava sendo confeccionado e todas as desculpas haviam sido pedidas.

Apesar do pedido de desculpas, que diz ter sido feito à Janaina, o supervisor levantou a suspeita de que a jovem e a amiga estariam “arquitetando algo em mente, como uma ação”.

"Não quero nada desse povo, só quero Justiça", rebateu Janaina.

Ângela Kempfer

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