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Índio terena tenta se matar em delegacia durante suposta sessão de tortura

19 de agosto de 2010

 indígena da nação terena, S.R.M, 26 anos, tentou suicídio na sala do delegado da cidade de Bonito, no dia 12 de agosto. O rapaz denuncia que enquanto sofria uma sessão de tortura avistou uma faca em cima de uma prateleira, tomou posse e cortou o próprio pescoço na presença de três agentes e do delegado. Ele foi socorrido e encaminhado para o hospital municipal pelos próprios policiais.

Segundo relato do indígena, a história começou quando ele tentou registrar um boletim de ocorrência contra a sua ex-amásia E.S.M, de 19 anos, com quem tem um filho de quatro meses. S.RM. afirma que procurou a delegacia da cidade porque havia discutido com a jovem, pois a mesma insistentemente tentava reatar o relacionamento, o que foi negado por ele, inclusive em outras vezes.

O indígena relata que foi até a casa da ex-companheira fazer uma visita para o filho e na residência estavam também a ex-sogra e um tio de E.SM, embriagados. Depois de uma discussão a ex-companheira disse que “ele ia se ver com ela. Que ela ia acabar com a vida dele” e também iria acusá-lo de ter violentado sexualmente uma garotinha 2,8 anos fruto de relacionamento da moça com outro homem.

Desesperado, o indígena afirma que procurou a delegacia por volta das 21h relatando o caso, mas a unidade estava fechada. Ele aguardou por aproximadamente 30 minutos quando chegou um agente e disse que não resolvia este tipo de problema, que era para o mesmo procurar o Conselho Tutelar. Na unidade que tem por obrigação proteger crianças e adolescentes, o rapaz foi orientado novamente a voltar na delegacia.

No dia seguinte S.R.M procurou a delegacia novamente insistindo para registrar o boletim contra a ex, pois temia que a mesma concretizasse a ameaça de denunciá-lo caluniosamente sobre violência sexual contra menor. Neste momento, segundo o indígena, ele foi dominado por agentes e levado até um quarto isolado nas dependências da delegacia, onde foi agredido com chutes e socos, por aproximadamente 30 minutos.

Depois da sessão de tortura, o indígena sustenta que foi levado até a sala do delegado Roberto Gurgel de Oliveira Filho, onde novas agressões começaram. Ainda de acordo com o rapaz, o delegado teria dito que era melhor ele confessar o crime logo, pois em caso contrário o colocaria na cela com outros para ser violentado sexualmente. “Eu não aguentava mais apanhar e depois desta ameaça, foi quando vi a faca e bem de pressa peguei e passei no meu pescoço. Eu queria me matar mesmo porque pelo jeito ninguém ia acreditar em mim, mesmo que morresse de tanto apanhar”, diz.

A faca, segundo S.R.M era do tipo pexeira e estava em uma prateleira com outra menor de serra. “Acho que as facas deviam estar ali porque foram apreendidas com alguém. Ia ser a solução pra mim naquele momento”, desabafa.

S.RM. ficou internado por 24h no hospital municipal sob escolta de policiais militares. Depois disto, ele afirma que foi liberado e o caso “ficou por isto mesmo”. Com a ajuda de conhecidos de seu patrão, o rapaz veio até Campo Grande e fez denúncia ao Centro de Defesa dos Direitos Humanos Marçal de Souza (CDDH). “Eu nem sabia a quem recorrer. Não sou de bebedeira, trabalho de ajudante e moro sozinho. Agora, tenho até medo de voltar pra cidade”, lamenta sem revelar aonde vai ficar nos próximos dias até o desenrolar da história.

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