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Mães denunciam que Unei está incomunicável após rebelião

13 de setembro de 2010

Um grupo de seis mães de adolescentes internados na Unei (Unidade Educacional de Internação) Dom Bosco, que está em funcionamento provisório na Colônia Penal Agrícola, denuncia que desde a rebelião ocorrida no dia 2 de setembro os internos estão incomunicáveis.

Elas estiveram reunidas na Praça dos Imigrantes nesta manhã para discutir o problema e dizem não questionar o cumprimento da medida sócio-educativa pelos filhos, mas pedem que isso seja feito de maneira adequada para a ressocialização dos garotos e conforme a legislação.

As mães acusam policias da Cigcoe (Companhia Independente de Gerenciamento de Crises e Operações Especiais) que estão no local de maltratar os interno.

As mães procuraram o CDDH (Centro de Defesa dos Direitos Humanos) Marçal de Souza, em busca de ajuda. Algumas delas preferem não se identificar com medo de os filhos sofrerem retaliações.

É o caso de uma mulher de 46 anos cujo filho de 16 anos está prestes a receber liberdade. Ela garante que nem por telefone os adolescentes podem conversar com as mães e diz estar em pânico.

Internado há dez meses por homicídio, o garoto disse à mãe antes da rebelião que não queria participar de nenhum dos movimentos que vinham sendo feitos na Unei para não ter adiada a saída.

“Uma semana antes ele falou comigo e disse que não tinham mais banho de sol nem água gelada. Disse que não estavam dando assistência nenhuma”, afirma.

Ao lado dela outras mães temes que os garotos sejam punidos por conta da rebelião que fizeram. Após o ocorrido, duas delas procuraram o CDDH e contaram ter falado com os filhos por meio de celulares escondidos entre eles.

Na conversa, os garotos teriam dito que estavam sendo maltratados, conforme a denúncia feita ao Centro.

Aos prantos, a cozinheira Cleuza Vilha Alta, de 39 anos, conta que na última visita feita ao filho no dia 29 de agosto, ele estava triste e ela perguntou o motivo.

Na versão da mãe, o garoto olhou para os lados e ao ver que não havia ninguém, apenas chorou e disse que não tinha acontecido nada. “Ele nunca chora”, observa.

Depois disso, ela não teve mais nenhum contato com o filho de 14 anos, internado há 7 meses por latrocínio. No dia 15, ele fará 15 anos e ela não sabe se poderá falar com o adolescente.

Desempregada, Celina Thiago, de 37 anos, diz que estava do lado de fora da Unei no dia da rebelião e ficou desesperada.

Quando conseguiu ver o filho, por volta das 15h, ele tinha dois hematomas nas costas e contou que teve que alguns agentes mandavam os garotos ficarem de cuecas e abaixados por horas.

Ele disse a ela que isso havia acontecido outras vezes, enquanto os responsáveis faziam churrascos na unidade. “Agora a gente está sem comunicação”, diz.

A pensionista Maria José da Silva, de 58 anos, foi à Praça dos Imigrantes nesta manhã levando comida e coberta para o filho de 16 anos.

No local ela foi informada pelas outras mães de que a visita estava suspensa e reclamou da medida. “O menino não pode continuar dormindo no assoalho”, protesta.

Denúncias - O presidente do CDDH Marçal de Souza, Paulo Ângelo, diz que desde 2007 as mães procuram o centro para denunciar condições inadequadas de internação na Unei Dom Bosco.

Ele afirma que há relatos documentados de que os garotos sofrem agressões por parte dos agentes, violência sexual de outros internos e maus-tratos.

De acordo com o presidente, esses relatos serão apresentados nesta semana durante reunião do Conselho Estadual de Direitos Humanos.

A intenção da entidade é que sejam cobradas respostas das autoridades competentes e a situação das Uneis levada para discussão fora da esfera estadual, com denúncia à Comissão de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas).

Estado - Responsável pelas Uneis do Estado, o coronel Hilton Vilassanti nega que os adolescentes internados estejam sem comunicação com a família.

Ele lembra que o espaço físico da unidade foi destruído durante a rebelião e isso inviabilizou visitas, mas que a área foi reformada e na terça-feira os garotos estarão de volta prontos para receber a família.

Sobre a denúncia de que a Polícia esteja maltratando os garotos, o comandante da Polícia Militar Carlos Alberto David dos Santos informou que a Cigcoe sequer está em contato com os garotos, e que os policiais têm feito a segurança externa.

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