Centro de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos Marçal de Souza Tupã-i

Centro de Defesa
da Cidadania e dos
Direitos Humanos Tupã-i

Marçal de Souza

Rua Juruena nº 309, Bairro Taquarussu
CEP: 79006 -050 Campo Grande - MS
Telefone(67) 3042 3440 Horário de atendimento 13h30 as 18h00

Fique por dentro

enviar
Para receber nosso informativo eletrônico por e-mail, digite seu e-mail no campo acima, e clique em "enviar".

Artigos

buscar
Digite uma palavra no campo acima e clique em "buscar".

Outro Mundo Possível.

13 de março de 2009
Nesta época do ano em Belém do Pará (1,42 milhão de habitantes - IBGE/2008), os compromissos do dia-a-dia são agendados geralmente para antes ou depois da chuva! Isso porque chove uma barbaridade naquela terra, especialmente do meio-dia em diante. Pois bem, foi justamente isso o que ocorreu na passeata de abertura do Fórum Social Mundial (FSM) em 27 de janeiro último naquela cidade e que contou com pelo menos 60 mil pessoas (a imprensa local noticiou 30 mil) provenientes de diferentes regiões do Brasil e de mais 150 países. Marcada inicialmente para acontecer às 15 horas, ela só começou de fato na “boca da noite”, após uma chuvarada de 60 a 80 mm, saindo do cais do porto em direção ao centro da “Cidade das Mangueiras” num trajeto de aproximadamente quatro quilômetros.
O FSM volta ao Brasil após um giro por Mumbai, na Índia e Nairobi, na África, e se constitui hoje no principal contraponto ao Fórum Econômico de Davos, na Suíça, onde os oito países mais ricos do mundo, mais a Rússia, se reúnem e traçam a política econômica que vai vigorar nos próximos anos para o resto do mundo. Dessa vez, no entanto, devido à crise financeira mundial e à recessão iniciada nos EUA e espraiada hoje para o resto do mundo, Davos viveu um clima fúnebre e nem o presidente Lula, que costuma dar suas “palpitadas” por lá, resolveu ficar por aqui e ir apenas ao Fórum de Belém. E com ele estiveram presentes no FSM mais quatro presidentes sul-americanos: Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Fernando Lugo (Paraguai) e Rafael Correa (Equador). Também estiveram por lá vários ministros da “face esquerda” do governo Lula, inclusive a futura candidata à presidente, ministra Dilma Roussef. Parecia até uma reunião de governo fora de Brasília!
Durante o evento de seis dias que aconteceu em dois territórios do FSM – um na Universidade Federal do Pará (UFPA) e o outro na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) – discutiu-se tanto os chamados temas “terrenos” quanto os “exóticos”. Dentre os primeiros: a preservação da Amazônia, a crise econômica global, a reforma agrária brasileira, os povos indígenas latino-americanos, os cinqüenta anos da revolução cubana e a devolução de Guantânamo, modelos de desenvolvimento sustentável, etc. Dentre os segundos: meditação transcendental; a seita do Santo Daime; a legalização da maconha, danças e ritmos africanos, massagem Ayurvédica, etc. É como mostra a charge de Maringoni publicada em 30/01 no “Carta Maior”: Pergunta: “Você sabe onde é o debate da unificação das esquerdas?”; Resposta: “Vai pelo protesto da IV Frota, segue pelos direitos das minorias, dobra na questão da água, passa pela ecologia sustentável, atravessa a luta contra as demissões e chega na crise internacional. Logo adiante está o que você quer. É fácil!”.
É bom que se diga, no entanto, que apesar dessa aparente pulverização de temas discutidos no FSM em Belém do Pará, houve um certo consenso entre os participantes de que a crise econômica que o mundo capitalista vive nos dias de hoje não se deve apenas a um fator isolado – como a especulação financeira, por exemplo – mas sim, ao que parece, a uma conjuminância de fatores que contribuem para a deterioração da vida humana no planeta Terra, dentre os quais o modelo capitalista ora vigente no mundo talvez seja o seu principal responsável. Agora, mais do que nunca, é preciso construir um novo modelo de civilização que passe necessariamente a ser mais humano, mais justo e ético, mais limpo, menos consumidor de energia, menos faminto e essencialmente mais solidário!      
Como disse o editorial de um jornal local de Belém do Pará, em 29/01: “O FSM foi uma das melhores coisas que já aconteceu nos últimos anos, como alternativa política para chamar atenção de todo o Planeta para questões que não dizem respeito só aos governantes e sim aos cidadãos. Para entender o mundo, é preciso discutir sobre ele, é necessário passá-lo sob a lupa do olhar crítico, é indispensável aglutinar contradições, confrontar propostas, estimular alternativas viáveis”. No entanto, como disse também alguém no próprio FSM de Belém: “A discussão é sempre importante, mas é preciso ir mais além. É fundamental encontrar um novo modelo alternativo de sociedade que venha se contrapor realmente ao sistema capitalista ora em falência no mundo”. A questão central é: onde está esse novo modelo, esse outro mundo possível? Quem sabe a resposta seja dada no próximo FSM, que deverá acontecer na África, Oriente Médio, ou até mesmo nos EUA em 2011, hein?
Hermano de Melo*

Veja mais

CDDH-Marçal de Souza

Todos os direitos reservados.
Proibida a reprodução total ou parcial
deste website sem autorização.